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iniciaractividadeEstá a considerar iniciar uma actividade profissional como Massagista / Terapeuta Manual?

Os nossos Parabéns. É com muita satisfação que lhe damos as boas-vindas.

No entanto, e apesar de não haver regulamentação própria para esta actividade, existe um conjunto de orientações, regras e/ou procedimentos que deverá seguir para dar início à sua actividade nesta área... e é com muito prazer que lhe disponibilizamos esta informação gratuitamente!

O que descrevemos nesta página é o resultado de um trabalho de consolidação de informação sobre o que é fundamental considerar para o início de uma actividade neste sector. Se necessitar de esclarecimentos adicionais, envie-nos um email para Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

 

I. Enquadramento Geral

Seja bem-vindo a uma área de actividade profissional que não goza de qualquer tipo de regulamentação oficial em Portugal… pelo menos, até à data.

O propósito desta informação é fornecer-lhe o enquadramento mínimo necessário e as principais orientações ao caminho que, obrigatoriamente, quem pretender iniciar o seu próprio negócio / actividade profissional nesta área terá de percorrer.

O caminho a percorrer não é difícil… desde que se saiba o que se quer!

Com certeza que sabe o que quer, mas sabe como o conseguir? O “como conseguir” é que nem sempre se torna muito fácil, dada a manifesta ausência de informação nesta área.

Para começar a sua caminhada, nada como começar… pelo princípio.

 

 

 

 

II. Que Tipo de Actividade Profissional?

 

Podemos distinguir 4 tipos de actividade profissional, em função do seu enquadramento jurídico:

- Profissional Liberal (ou Trabalhador Free-Lancer ou Trabalhador Independente);

- Empresário em Nome Individual;

- Sociedade Unipessoal;

- Trabalhador por Conta de Outrém.

O tipo de negócio que escolher para a sua actividade irá condicionar a forma como deverá agir em termos de gestão.

De uma forma muito geral, o Profissional Liberal, também designado por Free-Lancer ou Trabalhador Independente, é o típico utilizador dos antigos “Recibos Verdes”, actualmente designados por "Facturas-Recibo" e com emissão electrónica obrigatória. A utilização deste tipo de recibos é muito cómoda, porque para apurar os seus rendimentos anuais basta somar as cópias dos vários recibos que tiver em seu poder. Uma das limitações associadas a este tipo de negócio é a exclusividade de rendimentos provenientes de prestação de serviços. Neste caso, não é admissível para o Trabalhador Independente a prática da comercialização de bens.

Por outro lado, o Empresário em Nome Individual já poderá ter rendimentos provenientes de comercialização de bens e serviços, sendo que, para o caso da comercialização de bens, terá de ter os livros de registo obrigatórios associados à comercialização de bens: vendas, compras e despesas gerais. Estes livros poderão, caso o pretenda, ser substituídos pela utilização de um sistema informático. Nesta forma jurídica, os bens do Empresário em Nome Individual passam a estar afectos à exploração da sua actividade económica. Isto é, não existe separação entre o seu património pessoal e o património afecto à empresa que dirige. É o mesmo que dizer que a responsabilidade do empresário se confunde com a responsabilidade da sua empresa.

Relativamente à Sociedade Unipessoal, esta forma jurídica já implica a criação de uma empresa e carece de investimento mínimo... no valor de 5.000 Euros. Uma das vantagens associadas a este tipo de forma jurídica é a possibilidade de separação total entre os bens afectos à pessoa e os bens afectos à empresa. Havendo este tipo de separação objectiva em termos de gestão, a responsabilidade da empresa para efeitos de dívidas será determinada em função dos bens da mesma.

Se, por outro lado, pretende iniciar a sua actividade como Trabalhador por Conta de Outrém, terá a sua tarefa, em princípio, muito mais facilitada... desde que encontre o empregador certo e que as condições que lhe forem apresentadas sejam interessantes. Esta é uma das melhores maneiras de iniciar uma actividade profissional e ganhar a experiência necessária. No entanto, há quem opte por prescindir desta etapa na sua caminhada.

Em qualquer um dos três primeiros tipos de actividade profissional poderá haver opção, na altura do seu Registo de Início de Actividade na repartição de Finanças, entre o chamado Regime Simplificado e a Contabilidade Organizada.

O que importa saber neste momento é o que é que lhe interessa fazer com a sua actividade profissional. Isso é, de facto, o mais importante. Todo o seu futuro profissional, no âmbito da sua actividade, irá depender desta “simples” decisão.

A sua primeira decisão: Quer trabalhar como colaborador de uma outra entidade ou quer estabelecer-se por conta própria e, neste caso, pensa vender apenas bens, apenas serviços ou bens e serviços? O que é que quer fazer? O que é que lhe dá mais prazer? Se ainda não tem a certeza, uma sugestão será começar por ganhar experiência com entidades já estabelecidas no mercado. Mais tarde poderá pensar em começar uma actividade por conta própria e começar apenas por vender serviços, bastando apenas os tais “recibos verdes”.

Imaginemos então que opta por querer trabalhar por conta própria (iremos assumir esta opção a partir deste momento).
 

  

III. Como Garantir o Seu Sucesso?

 

empreendedor

Ou melhor:

O que é que irá garantir o Seu Sucesso como gestor de si mesmo?

Se a resposta a esta questão fosse fácil, não haveria no mercado a vastissima oferta de cursos de formação para gestão de negócios ou de Desenvolvimento Pessoal! De facto, a resposta não é mesmo nada fácil… mas um dos Factores de Sucesso será seguramente o tipo de bem e/ou serviço que decidir oferecer aos seus potenciais clientes!

Como escolher o tipo de bem e/ou serviço?

Para isso terá de “olhar” para os seus potenciais clientes e determinar o que é que lhes poderá oferecer para satisfazer algum tipo de necessidade específica que eles tenham! Nada mais que isto. Mas atenção: este passo é fulcral… mas também não é muito fácil.

Partimos então do princípio de que já saberá o que os seus potenciais clientes irão valorizar, pelo que ao estar a colocar no mercado o tipo de bens e/ou serviços que já decidiu colocar, estará a contribuir decisivamente para a satisfação das necessidades dos seus potenciais clientes e isso… é vital para o Seu Sucesso.

Imaginemos agora que já sabe o que quer vender. Mas VOCÊ terá as características necessárias para se lançar num negócio por conta própria? Será que consegue responder com alguma facilidade à questão:

EU SOU EMPREENDEDOR?

O que é “ser empreendedor”?

Ser empreendedor não significa levar uma vida com horários certos ou um salário garantido no final do mês. Se isso é o mais importante para si, está na hora de mudar o seu paradigma de vida! Ou então “empreender” poderá não estar no seu caminho.

Atenção que “ser empreendedor” é diferente de “ser empresário”. Um empresário é o proprietário do negócio ou o accionista que controla a empresa. Um empresário não é necessariamente um empreendedor. Mas também poderá ser! Assim como um empreendedor não é necessariamente um empresário. Mas também poderá ser!

O que é que caracteriza então um EMPREENDEDOR?

Para além dos bens e/ou serviços que irá oferecer aos seus potenciais clientes, o Seu Sucesso irá depender de uma série de Características Pessoais, tais como:

- Originalidade (Criatividade / Inovação)
- Flexibilidade
- Orientação para a Acção
- Visão a Longo Prazo
- Auto-Motivação
- Definição de Estratégias e Objectivos
- Assumpção de Riscos (Coragem)
- Iniciativa
- Firmeza (Disciplina)
- Capacidade de Decisão
- Atitude de Respeito Humano
- Responsabilidade
- Capacidade de Organização e Gestão
- Perseverança
- Focalização
- Experiência Pessoal e/ou de Terceiros
- Humildade
- Paixão pelo Seu Negócio
- Optimismo
- Capacidade de Vender
- ...

Bom, a lista de características pessoais normalmente associadas aos empreendedores parece que nunca acaba! Claro que os empreendedores não são Super-Heróis! Mas claramente têm algumas características pessoais que são diferentes das pessoas que normalmente trabalham para outros: os chamados Trabalhadores por Conta de Outrem, Empregados, Funcionários ou, como hoje em dia se diz, Colaboradores.

Já vimos algumas das características pessoais dos Empreendedores. Em oposição, o que é que poderá caracterizar o típico Empregado, de acordo com alguns autores? Eis alguns exemplos:

- Visão limitada (tendência para o curto prazo)
- Dificuldade para identificar oportunidades
- Dependência da orientação de terceiros
- Criatividade limitada ou nula
- Dificuldade de auto-aprendizagem
- Só domina parte do processo em que está integrado
- Baixo nível de comunicações inter-pessoais
- Reactivo (não pró-activo)
- ...

Se estas características condizem mais com a sua própria maneira de ser e de agir (e não se engane a si próprio, pois nem todas as pessoas têm de ter características de Empreendedor!) talvez não seja um empreendedor nato. Mas poderá aprender a empreender! O empreendedorismo trabalha-se: pode ser aprendido em acções de formação e através de experiências concretas em casos práticos ou simulados.

Faça um favor a si mesmo e não fique só por aqui. Conheça-se a si mesmo e aperfeiçoe as suas características pessoais para se tornar um verdadeiro Empreendedor.

Até porque… para criar o seu próprio negócio na área da massagem ou terapias manuais terá necessariamente que juntar características de Empreendedor e Empresário.

Muito bem.

Das duas, uma: ou já tem características de Empreendedor ou quer ter.

Senão, talvez não estivesse ainda a ler este texto. Ou então tem apenas curiosidade pelo tema.

Infelizmente, este texto não tem nenhuma receita para o tornar um verdadeiro Empreendedor. E, seguramente, podemos dizer que não há nenhuma receita desse tipo. Também não é esse o propósito deste texto. Neste aspecto, apenas gostaríamos de lhe dizer: nunca desista dos seus sonhos! Se quer ser empreendedor, poderá sê-lo! Basta que queira aprender! Antes de investir no seu futuro negócio, invista em si próprio! Reforce as suas qualidades positivas, melhore as suas capacidades, frequente cursos de formação, envolva-se em redes de empreendedorismo… junte-se aos empreendedores, aprenda com eles e... seja um deles.

Saiba mais em
http://www.empreendedorismo.uac.pt/empreendedorismo/faq_empreendedorismo

 

 Mas voltemos agora aos aspectos mais práticos da criação do seu próprio negócio.

POR ONDE COMEÇAR?

Voltando novamente ao tema anterior das “formas jurídicas” do seu próprio negócio, terá de decidir se quer vender apenas bens, apenas serviços ou bens e serviços. Esta decisão, como dissemos anteriormente, irá condicionar a sua forma de gestão.

Por outro lado, o seu estilo de gestão não será afectado, pois seja qual for a forma de gestão que escolher, ela será sempre adaptada ao seu próprio estilo: poderá ser mais ou menos organizado, mais ou menos tecnicista, mais ou menos carismático, mais ou menos vendedor, mais ou menos sociável, etc. Se está satisfeito com o seu próprio estilo, com a sua maneira de ser, com a sua forma de estar, o seu negócio irá adaptar-se a si mesmo e não ao contrário.

Qualquer que seja a “forma jurídica” que adopte para iniciar o seu próprio negócio, queremos que saiba, desde já, que:

- o tempo da certeza irá acabar;
- o tempo da segurança irá acabar;
- o tempo do conformismo irá acabar;
- o tempo da despreocupação (se é que ela existe) irá acabar;
- o tempo do salário certo irá acabar.

mas... ANIME-SE!

Também queremos que saiba, desde já, que um negócio próprio lhe irá trazer muitos benefícios. Não os vamos enumerar aqui… preferimos que os vá descobrindo a pouco e pouco na sua própria caminhada!

O trabalho é garantido e nunca vai acabar… desde que cumpra os requisitos mínimos para manter o seu negócio sobre rodas.

Seja através de “recibos verdes” ou outro tipo de documentos (facturas e/ou vendas a dinheiro), o que interessa mesmo é que está decisivamente a criar o seu próprio espaço no mercado. Irá ter os seus próprios clientes, os seus próprios fornecedores, os seus próprios parceiros de negócio e… a sua própria concorrência.

Sim, CONCORRÊNCIA! Normalmente irá encontrar desde o início vários concorrentes ao seu próprio negócio. Mas poderá estar a oferecer um produto ou serviço completamente inovador e ser o único no mercado a fazê-lo. Neste caso não tem concorrência.

Mas acredite em nós: se não tem, vai ter! Não se iluda; é só uma questão de tempo. Se começar a “dar nas vistas” ou a “dar que falar”, é muito provável que apareçam novos concorrentes no seu inovador segmento de mercado. Se for um negócio interessante e “apetecível” para si, acha que não o será para os outros?

Em última análise, o que é que irá distinguir o SEU produto / serviço dos restantes? A SUA própria forma de lidar com as pessoas! Os concorrentes até podem ter o mesmo produto ou serviço, mas ninguém é como VOCÊ! VOCÊ irá fazer a diferença! 

  

IV. Finanças, Segurança Social e IVA

 

legal iconCá estamos na área das nossas primeiras “preocupações” quando queremos criar o nosso próprio negócio: Finanças, Segurança Social e IVA. Todos aqueles termas que nos deixam com "um sorriso de orelha a orelha" :-)

 Para ter uma actividade legal terá de proceder às respectivas inscrições e aos registos necessários junto da sua Repartição de Finanças (na sua área de residência) e da Segurança Social (também na sua área de residência).

Vamos mostrar-lhe os passos a dar consoante pretenda iniciar a sua actividade como Profissional Liberal ou como Empresário (Empresário em Nome Individual ou Sociedade Unipessoal), pois os procedimentos a adoptar são ligeiramente diferentes.

Início de Actividade como PROFISSIONAL LIBERAL:

1º. Desloque-se à Repartição de Finanças da sua área de residência e diga ao funcionário que pretende “Abrir Actividade” (estamos a pressupor que já terá um número de contribuinte; caso não o tenha, terá de tratar disso previamente).

2º. O funcionário da Repartição de Finanças irá ajudá-lo a preencher uma Declaração de Início de Actividade (provavelmente o preenchimento será online).

 3º. Como se quer inscrever como Profissional Liberal, deverá informar o funcionário de que a sua actividade está listada no Anexo I do Artº 151º do Código do IRS e que tem o código 1329 – Massagistas.

4º. Deverá indicar ao funcionário o valor de facturação previsto para o ano em curso. Chamamos a sua atenção para o facto de ficar automaticamente isento de IVA caso o volume de facturação anual seja inferior a 10.000€. Neste caso também fica isento de retenção de IRS nas suas “Facturas-Recibo”.

5º. Ao inscrever-se como Profissional Liberal, e na ausência de informação em contrário da sua parte, será automaticamente inscrito no Regime Simplificado para efeitos de tributação de IRS. Este Regime Simplificado significa, na prática, que não pretende ter Contabilidade Organizada e que terá de se manter neste regime durante 3 anos. Neste regime, 70% dos seus rendimentos são considerados para efeitos de tributação de IRS e não poderá declarar nenhumas despesas decorrentes da sua actividade. É “o preço a pagar” por não ter Contabilidade Organizada… É mais simples, mas tem esta desvantagem! A opção pela inscrição na Contabilidade Organizada poderá ser vantajosa para quem considerar vir a ter despesas superiores a 30% dos seus rendimentos.

6º. Depois de ter na sua posse a Declaração de Início de Actividade, deverá registar-se online no Portal das Finanças para a emissão das suas Facturas-Recibo.

7º. Depois poderá dirigir-se à Segurança Social (delegação da sua área de residência), deve levar uma cópia da Declaração de Início de Actividade e inscrever-se como Trabalhador Independente para efeitos de contribuições para a Segurança Social.

8º. Se for a primeira vez que se inscreve como Trabalhador Independente terá direito a 1 ano de isenção de pagamento de contribuições para a Segurança Social. Passado este ano de isenção (se a ele tiver direito), irá deparar-se com duas alternativas: se, para além dos “recibos verdes”, estiver também a trabalhar por conta de outrem, uma vez que a sua entidade empregadora trata dos seus descontos para a Segurança Social ficará isento do pagamento na sua actividade independente; se estiver apenas a trabalhar por sua conta, terá de começar a suportar esta despesa do seu próprio bolso.

9º. Se não for a primeira vez que se inscreve como Trabalhador Independente, tem as mesmas duas alternativas (indicadas no número anterior) logo no início da sua actividade como Profissional Liberal.

E pronto! Agora que já tratou das formalidades legais, já está em condições de dar início efectivo à sua actividade como Profissional Liberal.

Início de Actividade como EMPRESÁRIO:

A) Como Empresário em Nome Individual:

1º. Desloque-se à Repartição de Finanças da sua área de residência e diga ao funcionário que pretende “Abrir Actividade” (estamos a pressupor que já terá um número de contribuinte; caso não o tenha, terá de tratar disso previamente).

2º. O funcionário da Repartição de Finanças irá ajudá-lo a preencher uma Declaração de Início de Actividade (provavelmente o preenchimento será online).

3º. Como se quer inscrever como Empresário em Nome Individual, deverá consultar antecipadamente a Classificação das Actividades Económicas (Revisão 3)poderá consultar o website do Instituto Nacional de Estatística – para determinar qual o código CAE que diz respeito à actividade que quer iniciar. Será sempre uma subdivisão do grupo 47 que está associado ao comércio a retalho. No momento da sua inscrição, deverá informar o funcionário de que pretende registar a sua actividade com o código 47xxx (deverá substituir estes "x" pelos algarismos correctos) da classificação CAE.

4º. Deverá indicar ao funcionário o valor de facturação previsto para o corrente ano. Chamamos a sua atenção para o facto de ficar automaticamente isento de IVA caso o volume de facturação anual seja inferior a 10.000€.

5º. Ao inscrever-se como Empresário em Nome Individual, e na ausência de informação em contrário da sua parte, será automaticamente inscrito no Regime Simplificado para efeitos de tributação de IRS. Este Regime Simplificado significa, na prática, que não pretende ter Contabilidade Organizada e que terá de se manter neste regime durante 3 anos. Neste regime, 70% dos seus rendimentos são considerados para efeitos de tributação de IRS e não poderá declarar nenhumas despesas decorrentes da sua actividade. É “o preço a pagar” por não ter Contabilidade Organizada… É mais simples, mas tem esta desvantagem! A opção pela inscrição na Contabilidade Organizada poderá ser vantajosa para quem considerar vir a ter despesas superiores a 30% dos seus rendimentos.

6º. Depois poderá dirigir-se à Segurança Social (delegação da sua área de residência), deve levar uma cópia da Declaração de Início de Actividade e inscrever-se como Trabalhador Independente / Empresário em Nome Individual para efeitos de Segurança Social.

7º. Se for a primeira vez que se inscreve como Empresário em Nome Individual terá direito a 1 ano de isenção de pagamento de contribuições para a Segurança Social. Passado este ano de isenção (se a ele tiver direito), irá deparar-se com duas alternativas: se, para além das “Facturas-Recibo”, estiver também a trabalhar por conta de outrem, uma vez que a sua entidade empregadora trata dos seus descontos para a Segurança Social ficará isento do pagamento na sua actividade independente; se estiver apenas a trabalhar por sua conta, terá de começar a suportar esta despesa do seu próprio bolso.

8º. Se não for a primeira vez que se inscreve como Empresário em Nome Individual, tem as mesmas duas alternativas (indicadas no número anterior) logo no início da sua actividade como Empresário em Nome Individual.

E pronto! Agora que já tratou das formalidades legais, já está em condições de dar início efectivo à sua actividade como Empresário em Nome Individual.

B) Como Sociedade Unipessoal:

Se pretende criar o seu próprio negócio através de uma Sociedade Unipessoal, deve ficar a saber que o montante mínimo do respectivo capital social é de 5.000€.

Para criar uma empresa deste tipo, poderá dirigir-se a um posto de atendimento “Empresa na Hora” – saiba mais em
http://www.empresanahora.mj.pt/ENH/sections/PT_inicio

 

V. Seguros

 

Com certeza saberá que qualquer tipo de negócio tem um risco associado... e a nossa actividade profissional não é excepção.

Em qualquer tipo de actividade profissional, o Seguro de Acidentes de Trabalho é obrigatório, de acordo com a Lei n.º 100/97, de 13 de Setembro e Decreto-Lei n.º 159/99, de 11 de Maio.

Para contratar um seguro deste tipo, basta dirigir-se a uma qualquer Companhia de Seguros e solicitar um Seguro de Acidentes de Trabalho para a sua actividade profissional. O valor do prémio a pagar anualmente irá depender do valor do rendimento mensal que quiser declarar.

Por outro lado, já o Seguro de Responsabilidade Civil Profissional é facultativo. No entanto, sugerimos que contrate igualmente este seguro, uma vez que se protege se eventuais danos que possa causar a terceiros no âmbito da sua actividade profissional.

Infelizmente, não é muito fácil encontrar uma Companhia de Seguros que faça este tipo de seguro para massagistas e terapeutas manuais… mas existe! Basta ser persistente (uma das características dos empreendedores!).

  

VI. Carteira Profissional

carteiraprofissional
Eis um dos temas com alguma "controvérsia" no panorama nacional!

Até ao passado dia 27 de Julho de 2011 apenas a profissão de Massagista de Estética estava regulamentada e incluia o acesso a Carteira Profissional. No entanto, nesta data foi publicado o DL n.º 92/2011 onde se inclui a eliminação da Carteira Profissional como condição de acesso à profissão, com o objectivo da sua simplificação.

Ou seja, neste momento apenas a profissão de Massagista de Estética está regulamentada (em termos de Perfil Profissional e Perfil de Formação) mas tal não se verifica para mais nenhum outro tipo de massagem ou terapia manual.

Apenas a título de curiosidade, podemos dizer que existem algumas entidades nacionais que emitem “Carteiras Profissionais”, sem nenhuma base legal, no âmbito das suas actividades como uma tentativa de regulamentar o que ainda não está regulamentado e com o objectivo de criar alguma credibilidade profissional nesta área de actividade. Louvamos a intenção, mas não deixamos de mencionar que, em certos casos, se gera mesmo alguma confusão sobre este tema.

As entidades, ao divulgarem que promovem cursos que dão direito a “Carteira Profissional” estão, em parte, a causar também alguma instabilidade no sistema se não explicarem devidamente que esse documento não é um documento de natureza legal.

Podemos sossegá-lo, contudo, uma vez que não necessita de Carteira Profissional para poder exercer a sua actividade profissional no nosso país ou para dar início a um negócio nesta actividade.

 

VII. A Nossa Profissão


Alegremo-nos, pois a profissão de Massagista existe... de facto
!

A prova está na Classificação Nacional de Profissões – CNP (na sua versão de 1994).

Se quiser pesquisar esta CNP online, visite este link:
http://www.iefp.pt/formacao/CNP/Paginas/CNP.aspx

A profissão de Massagista pertence ao Grande Grupo 5 – Pessoal dos Serviços e aparece com estas designações:

5.1.4.1 Grupo Base dos Cabeleireiros, Esteticistas, Massagistas e Trabalhadores Similares
5.1.4.1.25 – Massagista de Estética
5.1.4.1.45 – Massagista – Reabilitação
5.1.4.1.90 – Outros Cabeleireiros, Esteticistas, Massagistas e Trabalhadores Similares

A profissão de Massagista aparece ainda noutro Grupo Base:

5.1.4.9 Grupo Base dos Trabalhadores dos Serviços Directos e Particulares Não Classificados em Outra Parte

5.1.4.9.15 – Massagista

Na nossa opinião, os códigos 5.1.4.1.45 e 5.1.4.9.15 poderiam dar lugar a um único código, pois ambos se referem a massagens com fins terapêuticos.

Salientamos, nesta fase, que esta informação é facultada apenas por pura curiosidade e como complemento ao seu conhecimento sobre esta área. Não tem qualquer relevância prática para a criação de um negócio nesta área.

 

VIII. Apoios à Criação de Negócios

boiaapoios
Quando nos referimos a “apoios à criação de negócios” ou “apoios à criação de emprego”, o que está em causa é sempre o apoio prestado por entidades externas.

Se está a considerar criar um negócio próprio e tem o capital (dinheiro para o investimento) necessário para iniciar a sua actividade, provavelmente não irá necessitar de apoios externos. E se assim é, aceite desde já os nossos parabéns! Tem tudo o que necessita para começar imediatamente o seu próprio negócio! Sugerimos, no entanto, que leia o resto deste texto porque pode haver ainda coisas importantes para si!

No entanto, para uma grande parte de interessados em criar o seu próprio negócio, o acesso a apoios prestados por entidades externas é uma condição indispensável para assegurar o necessário investimento inicial.

Normalmente existem três fontes de apoios por parte de entidades externas:

a) IEFP - A área da massagem é uma actividade 100% elegível para efeitos de apoio no âmbito do IEFP e corresponde ao código 96040 – Actividades de Bem-Estar Físico.

b) “Ninhos de Empresas” - São locais de apoio à criação de empresas onde são disponibilizados vários tipos de ajudas para a sua concretização. Informe-se na sua região sobre a existência destes "Ninhos de Empresas".

c) IAPMEI - O IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação) é um organismo oficial onde também são facultados apoios à criação de empresas. Saiba mais em http://www.iapmei.pt/

  

IX. Investimento e Financiamento

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Investimento
é a designação dada ao valor pecuniário (dinheiro) total que pretende afectar / aplicar ao seu negócio.

Qualquer tipo de negócio implica sempre um certo grau de investimento… que pode ser maior ou menor consoante o tipo de actividade, risco envolvido, nível de concorrência, grau de maturidade do mercado, perfil dos consumidores, etc.

Neste âmbito, é usual ouvir-se a expressão: “Fiz o meu investimento com Capital Zero”.

O que é que isto significa? Significa que não utilizou dinheiro nenhum para iniciar o seu negócio? Não. Significa normalmente que não recorreu a nenhum tipo de financiamento. E isto é possível, desde que a complexidade do negócio seja reduzida e não obrigue a um elevado nível de investimento. O empreendedor ou empresário pode dar início ao seu negócio apenas com recurso ao seu próprio dinheiro, não necessitando assim de recorrer ao dinheiro de entidades externas (financiamento).

Quando, no início do negócio, se recorre apenas ao dinheiro do empreendedor ou empresário, estamos perante a utilização de Capitais Próprios. Se, por outro lado, recorremos a algum tipo de financiamento externo, estamos perante a utilização de Capitais Alheios.

Existem várias fontes de financiamento com Capitais Alheios: Estatal (fundos nacionais ou comunitários), Bancário, Capital de Risco, Crédito Financeiro ou os tão conhecidos Familiares, Amigos, …

O mais usual será recorrer ao financiamento estatal ou bancário.

O financiamento “mais amigo” do empreendedor ou empresário é sempre o recurso a Capitais Próprios, ou seja, o seu próprio dinheiro… pois não tem encargos com juros. Se for este o seu caso, os nossos Parabéns!

 

X. Facturação, Compras e Despesas


Qualquer negócio implica sempre a seguinte triangulação financeira:

- Facturação
- Compras de Mercadorias (se comercializar produtos)
- Despesas Gerais

Facturação: é o que resulta da venda dos seus produtos e/ou serviços. É o somatório dos seus “recibos verdes” ou das suas Facturas.

Compras de Mercadorias: é o que resulta das despesas com as mercadorias ou produtos que comercializa no seu negócio. Normalmente resultam das compras aos seus fornecedores dos artigos que depois coloca no mercado para vender.

Despesas Gerais: é o que resulta das despesas com electricidade, água, gás, combustível, telefones, armazéns, rendas, etc.

Chamamos a atenção para o facto das Compras de Mercadorias e Despesas Gerais não serem consideradas na sua Declaração Anual de Rendimentos (IRS) caso esteja no Regime Simplificado de tributação.

É ainda importante referir que em qualquer negócio existem sempre duas componentes de despesas: Despesas Fixas e Despesas Variáveis.

As Despesas Fixas não dependem do volume de vendas. Ou seja, independentemente de estar a vender muito ou pouco, tem sempre um determinado conjunto de despesas, que normalmente são fixas: rendas de espaços (lojas ou armazéns), prestações financeiras, internet, etc.

As Despesas Variáveis dependem do volume de vendas. Ou seja, quanto mais vender mais aumentam certas despesas... e vice-versa. Por exemplo: despesas com envio de mercadoria, compras de mercadorias a fornecedores, etc.

Tenha sempre em atenção que o seu negócio será rentável apenas se “sobrar” dinheiro depois de deduzir todas as compras de mercadorias e despesas gerais ao valor de facturação. Ao dinheiro que "sobra" desta operação normalmente chama-se “Margem” ou “Ganho”. Por outro lado, se o resultado desta operação for negativo, estaremos perante uma situação de “Prejuízo”.

Lembre-se: faça tudo o que for possível para ter sempre Margens Positivas no seu negócio!

 

XI. Localização


A localização do seu negócio pode ser uma questão estratégica para o sucesso do mesmo.

Se está a considerar abrir um espaço de venda ao público (por exemplo um centro de massagens e terapias manuais), a localização desse espaço será um factor determinante para as suas vendas, nomeadamente se a visibilidade e a acessibilidade forem critérios importantes.

A utilização da internet para promover os seus produtos e/ou serviços, nos tempos que correm, é também indispensável. Indispensável é também a indicação, numa página própria do seu site, da localização do seu espaço.

 

XII. Licenciamento Municipal


Se considera abrir um espaço com abertura ao público, terá de se dirigir à Câmara Municipal e solicitar o respectivo licenciamento, que normalmente se traduz pela emissão de um Horário de Funcionamento que terá de afixar em local bem visível no seu estabelecimento.

 

XIII. Livro de Reclamações

 

livroreclamacoesTodos os estabelecimentos de venda ao público tem de disponibilizar obrigatoriamente o “Livro de Reclamações”. Este documento deve ser adquirido na Imprensa Nacional da Casa da Moeda (INCM) ou em outros locais autorizados para esse efeito. Se a sua actividade profissional se baseia apenas na prestação de serviços, o código a registar no Livro de Reclamações aquando da sua requisição à INCM será o "CAE 01329". Lembre-se de que o Livro de Reclamações tem que estar sempre disponível no estabelecimento e deve ser facultado a qualquer cliente que o solicite.

 

XIV. Ética, Privacidade e Sigilo

etica
“A ética é um conjunto de normas de comportamento aceitável mediante as quais uma pessoa realiza o seu trabalho com profissionalismo, tanto em benefício da sua reputação como da dos seus pacientes / clientes
.

Sem uma postura eticamente correcta, nunca estaremos perante verdadeiros profissionais, seja em que profissão for.

A adopção de comportamentos eticamente adequados permite que o profissional desempenhe a sua actividade profissional em condições socialmente aceitáveis. É, assim, fundamental que qualquer terapeuta / empreendedor / empresário nesta área de actividade, como em qualquer outra, se paute por princípios eticamente adequados.

Em termos de Privacidade, na condução do seu negócio deve tomar todas as medidas necessárias de modo a que a privacidade dos seus clientes / pacientes seja assegurada. Caso venha a desenvolver um negócio em que não utilize um estabelecimento, talvez a privacidade se relacione com a protecção dos dados pessoais / profissionais / clínicos dos seus clientes / pacientes. Se tiver um estabelecimento, para além da protecção dos dados anteriormente mencionada, será necessário assegurar a privacidade física dos utentes, através da utilização de gabinetes individuais, zonas de tratamento separadas por cortinas, biombos, etc.

O Sigilo Profissional não é mais do que garantir aos clientes / pacientes que todos os assuntos debatidos e conversas partilhadas entre terapeuta e cliente / paciente permanecem apenas, e só, entre ambos. O sigilo profissional é um dos aspectos da relação profissional que permite estreitar o grau de proximidade e nível de confiança entre ambos, contribuindo para o desenvolvimento de um relacionamento sustentado e duradouro. 

 

XV. Instalações

 

Se o seu negócio implicar a utilização de um espaço físico com abertura ao público, as suas instalações terão de obedecer a determinados requisitos de natureza técnica, devendo seguir, por exemplo e com as devidas adaptações, as regras definidas para as clínicas de fisioterapia, uma vez que estes espaços terão, provavelmente, características semelhantes ao que pretenderá desenvolver no seu negócio.

Tenha em atenção que esta indicação é meramente uma sugestão da nossa parte, dado que não existe, à data, nenhum tipo de condicionalismo legal ou regras de fiscalização para estabelecimentos de prestação de serviços de massagem e/ou terapias manuais, de acordo com um parecer oficial da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) que menciona o seguinte: "(...) a actividade e funcionamento dos centros de bem-estar / centros de massagem não está sujeita ao âmbito de regulação da ERS, uma vez que estas entidades não são submissíveis ao conceito de estabelecimento prestador de cuidados de saúde (...)".

De uma maneira geral, as suas instalações devem ter as seguintes áreas perfeitamente separadas entre si: recepção e sala de espera (caso seja aplicável), gabinete(s) de consulta, zona(s) de tratamento com marquesas separadas entre si por biombos, cortinas ou outro tipo de divisórias, WC geral junto à recepção e WC específico para os utentes com chuveiro (caso seja aplicável).

  

XVI. Equipamentos e Consumíveis


O desenvolvimento do seu negócio, por mais simples que possa ser, terá sempre que “funcionar” com alguns equipamentos e consumíveis.

No âmbito deste texto, vamos designar por equipamentos todos os aparelhos e acessórios que tenham uma durabilidade superior a 1 ano e por consumíveis todos os artigos que tenham uma durabilidade inferior ou igual a 1 ano.

Vamos então fazer aqui uma enumeração, não exaustiva, de potenciais equipamentos e consumíveis necessários para o arranque e desenvolvimento do seu negócio (vamos considerar, por ser o exemplo mais complexo, que irá abrir um estabelecimento de prestação de serviços ao público):

Equipamentos: Marquesa(s), Cadeira(s) de Massagem, Toalhas, Roupões, Lençóis para Marquesa, Rolos e Meios Rolos para Marquesa, Almofadas Faciais, Bancadas / Mesas / Bancos de Apoio, Sistema de Ar Condicionado, Sistema de Iluminação com Regulador de Intensidade (ou não), Aparelhos e Acessórios para Termoterapia, Aparelhos e Acessórios de Fisioterapia, Aparelhos e Acessórios para Electroterapia, etc.

Consumíveis: Lençóis Descartáveis para Marquesa, Chinelos Descartáveis, Rolos de Papel para Marquesa, Rolos de TNT (tecido não tecido) para Marquesa, Óleos, Cremes, Loções, Gel, Desinfectantes para Mãos e Superfícies, etc.

Esta enumeração não pretende ser exaustiva nem transmitir, por outro lado, a ideia de simplicidade. A correcta identificação e selecção dos vários equipamentos e consumíveis necessários para o seu próprio negócio é uma tarefa indispensável que irá requerer sempre a sua maior atenção, quer no início do negócio quer durante o mesmo, de modo a que possa garantir continuadamente um serviço de qualidade aos seus clientes / pacientes. 

 

XVII. Higiene e Segurança


Qualquer estabelecimento de venda ao público requer a sua atenção em matéria de Higiene e Segurança, quer relativamente às próprias instalações quer relativamente aos seus utentes e eventuais colaboradores que exerçam a sua actividade no estabelecimento.

Este tema requer a sua maior atenção para os seguintes aspectos: sistema de detecção e extinção de incêndios, sistema de iluminação, sistema de climatização, sistema de sinalização de segurança, sistema de emergência e evacuação, realização de exames médicos a eventuais colaboradores, acções de sensibilização / formação em matéria de higiene e segurança a eventuais colaboradores, etc.

O documento legal que define o regime jurídico de enquadramento das actividades de higiene e segurança, definindo os requisitos mínimos para os estabelecimentos nesta área, é o Decreto-Lei n.º 441/91, de 14 de Novembro.

 



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